Acredito que a maioria de nós ouviu dizer que sepse ou septicemia ( este ultimo termo não é mais utilizado) é uma "infecção generalizada". Este conceito remete ao pensamento da existência de uma infecção que acomete todos os tecidos do organismo humano, o que é um engano.
Segundo as diretrizes internacionais para o tratamento de sepse grave e choque séptico de 2012, sepse é uma resposta prejudicial e sistêmica do hospedeiro. Notem que esse conceito diz ser uma "resposta sistêmica do hospedeiro" ou seja, a resposta inflamatória é sistêmica e não a infecção.
Peninck e Machado 2012 definem a sepse literalmente da seguinte forma: " A sepse é definida como uma síndrome clinica constituída por uma resposta inflamatória sistêmica associada a um foco infeccioso".
Recentemente ( para ser mais preciso a edição nº 12 da revista publicada pelo Coren SP ) a enfermeira Profª Drª Renata Andréa Pietro autora do livro "sepse para enfermeiros - as horas de ouro" teve uma matéria excelente publicada, ela diz que a sepse mata mais pessoas no mundo do que câncer de mama, Aids e infarto.
Um editorial publicado na Revista Brasileira Terapia Intensiva (RBTI) no ano de 2008 relata que a sepse é a principal causa de mortalidade em unidades de terapia intensiva não cardiológica em todo o mundo.
O que eu e você quanto enfermeiros e membros da equipe multiprofissional podemos fazer para intervir de forma efetiva sustentada por evidência cientificas fidedignas? Bem não é necessário ser um gênio para saber que a resposta para esta questão é : conhecimento e capacitação. É importante destacarmos que a sepse é uma síndrome progressiva que pode estar presente desde o paciente que entra pelo Pronto Atendimento até o paciente que está recebendo cuidados intensivos.
A edição nº 12 de 2015 da Revista publicada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo expôs a evolução de forma simples e didática da seguinte forma:
- Infecção : O microrganismo invade o tecido estéril.
- Sirs : Resposta clinica resultante de uma agressão não especifica, com ao menos dois dos seguintes sintomas: Temperatura >38°C ou < 36°C, FC > 90 bpm, FR > 20 rpm, Leucócitos > 12.000 ou < 4.000, 10% a quantidade de células imaturas.
- Sepse : Sirs com foco infeccioso confirmado ou suspeito.
- Sepse grave: Com falência hematológica, metabólica, pulmonar, do sistema nervoso central, cardiovascular e renal.
- Choque séptico: Hipotensão refrataria.
Sepse é um tema muito extenso, impossível de ser abortado apenas em uma postagem. Nossa intensão foi fornecer informações referenciadas afim de construir um arcabouço do seu conhecimento sobre a sepse.
Referencias
ENFERMAGEM EM REVISTA, Quatro décadas de trabalho. Publicação oficial do conselho regional de enfermagem de São Paulo, ed. n° 12 -2015.
PENINCK PP, MACHADO RC, Aplicação do algoritmo da sepse por enfermeiros na unidade de terapia intensiva. Rev Rene 2012 São Paulo.
SILVA E, Sepse, um problema do tamanho do Brasil. RBTI- Revista Brasileira Terapia Intensiva, editorial vol. 18, 2006.
CAMPANHA DE SOBREVIVÊNCIA À SEPSE, Diretrizes Internacionais para o tratamento de sepse grave e choque séptico, 2012.
PENINCK PP, MACHADO RC, Aplicação do algoritmo da sepse por enfermeiros na unidade de terapia intensiva. Rev Rene 2012 São Paulo.
SILVA E, Sepse, um problema do tamanho do Brasil. RBTI- Revista Brasileira Terapia Intensiva, editorial vol. 18, 2006.
CAMPANHA DE SOBREVIVÊNCIA À SEPSE, Diretrizes Internacionais para o tratamento de sepse grave e choque séptico, 2012.
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