As diversas categorias de
profissionais da saúde (principalmente da enfermagem) estão sempre atentos
quanto as atualizações do protocolo de Ressuscitação Cardiorrespiratória de Emergência
da American Heart Association (AHA).
É muito difícil um profissional da saúde não saber quais condutas adotar ao
presenciar um colapso de adultos ou crianças. No entanto, raramente ouve-se
falar sobre a RCP em Gestantes e não existe muitas produções cientificas sobre
o assunto (pelo menos não em português).
Esta postagem será baseada em um
artigo vinculado a febrasgo – Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia e no protocolo atualizado de 2015 da American Heart
Association (AHA).
Sem dúvida, a repentina ausência da
consciência, respiração e pulso se não tratada de forma rápida pode culminar em
morte materna, sendo a ressuscitação de qualidade fundamental para um bom
prognostico para a gestante e concepto.
De acordo com Braga et al (2012),
a principal causa de colapso em gestantes é a hemorragia devido a uma série de
fatores, de maneira que quando há uma dificuldade para identificar a causa do
colapso deve-se pensar que pode existir uma hemorragia oculta. Outras causas possível
são: Toxemia, Tromboembolismo pulmonar, cerebral, Embolia de liquido Amniótico,
Doenças cardíacas, Sepse e anafilaxia.
É evidente também que o organismo
feminino sofre algumas modificações para melhor acomodar o feto. A partir da 20ª
semana de gestação na posição supina (ou decúbito dorsal) o útero comprime a
veia cava inferior e a aorta prejudicando o retorno venoso e causando
hipotensão supina.
Provavelmente o seu raciocínio clinico
chegou na seguinte questão: O que fazer no caso de uma parada cardiorrespiratória de
uma gestante, já que a posição que obviamente ela estará é a decúbito dorsal
que de acordo com a informação acima resulta em retorno venoso ineficiente?
Para realizar a RCP na gestante
será necessário antes realizar uma manobra para descomprimir a veia vaca e a
aorta. Antigamente a AHA preconizava que a gestante deveria ser posicionada em decúbito
lateral esquerdo tendo um coxins rígido (uma prancha) em seu dorso. Porém esta
conduta diminui a força das compressões.
A AHA 2015 recomenda a realização
do descolamento do útero para o lado esquerdo (a gestante estará em decúbito dorsal
sem coxins e você precisará de ajuda pois é impossível deslocar o útero e
realizar as compressões ao mesmo tempo) com isso haverá o retorno venoso ao átrio
e ventrículos direito.
No caso de você presenciar o colapso
de uma gestante sozinho, na minha opinião, o melhor é utilizar os coxins e uma superfície
rígida para deixa-la em decúbito lateral esquerdo em 30 graus, para favorecer o
deslocamento uterino e o retorno venoso, por motivos óbvios (não há ninguém para
auxilia-lo).
A segunda questão muito
importante de lembrar é com relação ao ponto correto de posicionar as mãos para
realizar as compressões, ela deve estar um pouco acima do local remendado para
uma pessoa normal (não gravida).
Lembrando destes dois detalhes:
Deslocar o útero para o lado esquerdo e posicionar as mãos um pouco acima do
local recomendado a uma pessoa normal, você poderá dar continuidade ao
protocolo de Suporte Básico Vida seguindo as recomendações sobre a velocidade e
profundidade das compressões e a quantidade de ventilações.
Referencias
AMERICAN HEART ASSOCIATION 2015, Atualizações das Diretrizes de RCP
e ACE.
BRAGA A, TRINDADE A P, SOGGIA M E V, BOCALETTI M C, ASMAR F T C, FILHO
J R, MOTENEGRO C B, Colapso materno – Conduta da parada cardíaca na
gravidez. Rev. Feminina 2012 vol. 40 nº4.
Autor: Enf. Leandro Aparecido
Graduado pela Universidade Camilo Castelo Branco.
Graduando em Urgência e Emergência.
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