quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

RCP EM GESTANTES

As diversas categorias de profissionais da saúde (principalmente da enfermagem) estão sempre atentos quanto as atualizações do protocolo de Ressuscitação Cardiorrespiratória de Emergência da American Heart Association (AHA). É muito difícil um profissional da saúde não saber quais condutas adotar ao presenciar um colapso de adultos ou crianças. No entanto, raramente ouve-se falar sobre a RCP em Gestantes e não existe muitas produções cientificas sobre o assunto (pelo menos não em português).

Esta postagem será baseada em um artigo vinculado a febrasgo – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e no protocolo atualizado de 2015 da American Heart Association (AHA).

Sem dúvida, a repentina ausência da consciência, respiração e pulso se não tratada de forma rápida pode culminar em morte materna, sendo a ressuscitação de qualidade fundamental para um bom prognostico para a gestante e concepto.

De acordo com Braga et al (2012), a principal causa de colapso em gestantes é a hemorragia devido a uma série de fatores, de maneira que quando há uma dificuldade para identificar a causa do colapso deve-se pensar que pode existir uma hemorragia oculta. Outras causas possível são: Toxemia, Tromboembolismo pulmonar, cerebral, Embolia de liquido Amniótico, Doenças cardíacas, Sepse e anafilaxia.

É evidente também que o organismo feminino sofre algumas modificações para melhor acomodar o feto. A partir da 20ª semana de gestação na posição supina (ou decúbito dorsal) o útero comprime a veia cava inferior e a aorta prejudicando o retorno venoso e causando hipotensão supina.
Provavelmente o seu raciocínio clinico chegou na seguinte questão: O que fazer no caso de uma parada cardiorrespiratória de uma gestante, já que a posição que obviamente ela estará é a decúbito dorsal que de acordo com a informação acima resulta em retorno venoso ineficiente?

Para realizar a RCP na gestante será necessário antes realizar uma manobra para descomprimir a veia vaca e a aorta. Antigamente a AHA preconizava que a gestante deveria ser posicionada em decúbito lateral esquerdo tendo um coxins rígido (uma prancha) em seu dorso. Porém esta conduta diminui a força das compressões.

A AHA 2015 recomenda a realização do descolamento do útero para o lado esquerdo (a gestante estará em decúbito dorsal sem coxins e você precisará de ajuda pois é impossível deslocar o útero e realizar as compressões ao mesmo tempo) com isso haverá o retorno venoso ao átrio e ventrículos direito.
No caso de você presenciar o colapso de uma gestante sozinho, na minha opinião, o melhor é utilizar os coxins e uma superfície rígida para deixa-la em decúbito lateral esquerdo em 30 graus, para favorecer o deslocamento uterino e o retorno venoso, por motivos óbvios (não há ninguém para auxilia-lo).

A segunda questão muito importante de lembrar é com relação ao ponto correto de posicionar as mãos para realizar as compressões, ela deve estar um pouco acima do local remendado para uma pessoa normal (não gravida).

Lembrando destes dois detalhes: Deslocar o útero para o lado esquerdo e posicionar as mãos um pouco acima do local recomendado a uma pessoa normal, você poderá dar continuidade ao protocolo de Suporte Básico Vida seguindo as recomendações sobre a velocidade e profundidade das compressões e a quantidade de ventilações.

Referencias

AMERICAN HEART ASSOCIATION 2015, Atualizações das Diretrizes de RCP e ACE.

BRAGA A, TRINDADE A P, SOGGIA M E V, BOCALETTI M C, ASMAR F T C, FILHO J R, MOTENEGRO C B, Colapso materno – Conduta da parada cardíaca na gravidez. Rev. Feminina 2012 vol. 40 nº4.

Autor: Enf. Leandro Aparecido
Graduado pela Universidade Camilo Castelo Branco.
Graduando em Urgência e Emergência.

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