Segundo Matos Souza et al. Alguns
relatos do século XIX já conceituava a Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE)
como uma resposta adaptativa a sobrecarga hemodinâmica que poderia evoluir para
a disfunção ventricular.
Samesina e Amodeo (2001) ao
escrever um artigo intitulado “hipertrofia ventricular esquerda” e publicado na
revista brasileira de hipertensão, também cita que, inicialmente acreditava-se
que HVE era um processo de adaptação do coração devido ao aumento da pós carga.
Corroborando com os conceitos
supracitados Garcia e Incerpi (2007) em seu artigo publicado pela Sociedade
Brasileira de Cardiologia declara que a HVE ocorre em resposta a sobrecarga hemodinâmica
relatada em várias condições fisiológicas e patológicas.
Podemos imaginar (com o intuito
de ilustrar) para melhor compreender esse conceito de HVE o que ocorre com o
musculo esquelético quando lhe é imposta uma sobrecarga, como nos exercícios
físicos por exemplo, ele inevitavelmente aumenta de tamanho para atender a nova
necessidade. O corpo humano é incrivelmente projetado para adaptar-se, mais um
exemplo e a comparação da espessura da queratina da palma das mãos nos
trabalhadores braçais aos trabalhadores intelectuais.
A sobrecarga de peso nos músculos
esqueléticos o fazem aumentar de tamanho, o aumento do atrito com a palma das
mãos fazem a espessura da queratina elevar. Percebemos então que para haver uma
adaptação do corpo humano é necessário um estimulo inicial.
A questão que nos vem é: o que provoca
a HVE? Qual é o estimulo inicial que o miocárdio recebe?
A maior parte dos autores
relataram em seus artigos uma forte relação entre hipertensão arterial
sistêmica e HVE sendo a primeira o principal fator para desenvolver a segunda.
A HVE é uma resposta adaptativa do miocárdio a altos índices pressóricos afim
de normalizar as tensões na parede ventricular, MATOS-SOUZA ET AL.
Em um artigo de 2011 cujo o
objetivo foi medir a espessura ventricular direita e esquerda em falecidos com
história de hipertensão arterial, submetidos a necropsia clinica constatou que
dos 90 corações selecionadas para a pesquisa 71% dos casos apresentaram HVE e
receberam o diagnóstico de Cardiopatia Hipertrófica Hipertensiva (CHH). Ainda
sobre este estudo, a HAS é uma da causas da HVE, porem outros fatores como
atuação neuro-hormonal, citocinas, estresse oxidativo e isquemias podem ser
incluídos, SANT’ANA ET AL.
Segundo Villar, Athayde e Lima
(2005) o aumento da sobrevida da população tornou mais aparente a importância
das doença crônicas dentre elas uma de maior destaque é a HAS. A matemática é
simples ↑ da sobrevida da população → ↑ das incidência e prevalência das
doenças crônicas inclusive a HAS → ↑ da incidência da HVE = problema de saúde
pública.
Vale lembrar que existe além da
Hipertrofia Ventricular Esquerda patologia a Hipertrofia Ventricular Esquerda
fisiológica (HVEF). Esta última é desenvolvida decorrente a uma sobrecarga
hemodinâmica transitória que ocorre comumente em pessoas que praticam esporte
regularmente, mulheres gestantes e no crescimento cardíaco durante a
adolescência, GARCIA E INCERPI.
Um dos grandes problemas da HVE é
a probabilidade da evolução para Insuficiência cardíaca Em 1987 foi relatado
que pessoas com HVE ao eletrocardiograma (ECG) tem de 2 a 5 vezes mais chance
de desenvolver IC, MATOS-SOUZA ET AL.
Quanto a possibilidade de
regressão da hipertrofia ventricular, um artigo de 1998 aborda de forma tímida não
querendo afirmar por falta de estudos prospectivos, que há uma possibilidade da
regressão da HVE fazendo uso de terapia medicamentosa com o intuito de reduzir
a pressão arterial. Este artigo também relatou que alguns estudos que estavam
em desenvolvimento na época apresentaram um resposta positiva com relação ao
prognostico, LIMA.
REFERENCIAS
LIMA J J G, Reversão da hipertrofia ventricular esquerda na terapêutica
da hipertensão arterial: fato ou ficção? Hiperativo,
vol. 05, 1988 – São Paulo.
MATOS-SOUZA J R, FRANCHINI K G, JUNIOR W N, Hipertrofia ventricular
esquerda: o caminho para a insuficiência cardíaca. Revista Brasileira de Hipertensão, vol. 15, 2008 – Campinas.
GARCIA J A D, INCERPI E K, Fatores e Mecanismos Envolvidos na
Hipertrofia Ventricular esquerda e o papel anti-hipertrófico do oxido nítrico. Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007-Minas
Gerais.
VILLAR C P, ATHAYDE L G M, LIMA M D A, Hipertensão arterial e
hipertrofia ventricular esquerda em diabetes mellitus tipo 2. R. Ci. Méd. biol. Vol. 4, 2005 – Bahia.
SANT’ANNA M P, MELLO R J V, MONTENEGRO L T, ARAÚJO M M, Hipertrofia
cardíaca esquerda e direita em necropsias de hipertensos. Elsevier Editora Ltda, 2011 – Pernambuco.
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