terça-feira, 26 de janeiro de 2016

HIPERTENSÃO ARTERIAL E HIPERTROFIA VENTRICULAR ESQUERDA

Segundo Matos Souza et al. Alguns relatos do século XIX já conceituava a Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) como uma resposta adaptativa a sobrecarga hemodinâmica que poderia evoluir para a disfunção ventricular.

Samesina e Amodeo (2001) ao escrever um artigo intitulado “hipertrofia ventricular esquerda” e publicado na revista brasileira de hipertensão, também cita que, inicialmente acreditava-se que HVE era um processo de adaptação do coração devido ao aumento da pós carga.

Corroborando com os conceitos supracitados Garcia e Incerpi (2007) em seu artigo publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia declara que a HVE ocorre em resposta a sobrecarga hemodinâmica relatada em várias condições fisiológicas e patológicas.

Podemos imaginar (com o intuito de ilustrar) para melhor compreender esse conceito de HVE o que ocorre com o musculo esquelético quando lhe é imposta uma sobrecarga, como nos exercícios físicos por exemplo, ele inevitavelmente aumenta de tamanho para atender a nova necessidade. O corpo humano é incrivelmente projetado para adaptar-se, mais um exemplo e a comparação da espessura da queratina da palma das mãos nos trabalhadores braçais aos trabalhadores intelectuais.

A sobrecarga de peso nos músculos esqueléticos o fazem aumentar de tamanho, o aumento do atrito com a palma das mãos fazem a espessura da queratina elevar. Percebemos então que para haver uma adaptação do corpo humano é necessário um estimulo inicial.

A questão que nos vem é: o que provoca a HVE? Qual é o estimulo inicial que o miocárdio recebe?

A maior parte dos autores relataram em seus artigos uma forte relação entre hipertensão arterial sistêmica e HVE sendo a primeira o principal fator para desenvolver a segunda. A HVE é uma resposta adaptativa do miocárdio a altos índices pressóricos afim de normalizar as tensões na parede ventricular, MATOS-SOUZA ET AL.

Em um artigo de 2011 cujo o objetivo foi medir a espessura ventricular direita e esquerda em falecidos com história de hipertensão arterial, submetidos a necropsia clinica constatou que dos 90 corações selecionadas para a pesquisa 71% dos casos apresentaram HVE e receberam o diagnóstico de Cardiopatia Hipertrófica Hipertensiva (CHH). Ainda sobre este estudo, a HAS é uma da causas da HVE, porem outros fatores como atuação neuro-hormonal, citocinas, estresse oxidativo e isquemias podem ser incluídos, SANT’ANA ET AL.

Segundo Villar, Athayde e Lima (2005) o aumento da sobrevida da população tornou mais aparente a importância das doença crônicas dentre elas uma de maior destaque é a HAS. A matemática é simples ↑ da sobrevida da população → ↑ das incidência e prevalência das doenças crônicas inclusive a HAS → ↑ da incidência da HVE = problema de saúde pública.

Vale lembrar que existe além da Hipertrofia Ventricular Esquerda patologia a Hipertrofia Ventricular Esquerda fisiológica (HVEF). Esta última é desenvolvida decorrente a uma sobrecarga hemodinâmica transitória que ocorre comumente em pessoas que praticam esporte regularmente, mulheres gestantes e no crescimento cardíaco durante a adolescência, GARCIA E INCERPI.

Um dos grandes problemas da HVE é a probabilidade da evolução para Insuficiência cardíaca Em 1987 foi relatado que pessoas com HVE ao eletrocardiograma (ECG) tem de 2 a 5 vezes mais chance de desenvolver IC, MATOS-SOUZA ET AL.

Quanto a possibilidade de regressão da hipertrofia ventricular, um artigo de 1998 aborda de forma tímida não querendo afirmar por falta de estudos prospectivos, que há uma possibilidade da regressão da HVE fazendo uso de terapia medicamentosa com o intuito de reduzir a pressão arterial. Este artigo também relatou que alguns estudos que estavam em desenvolvimento na época apresentaram um resposta positiva com relação ao prognostico, LIMA.

REFERENCIAS

LIMA J J G, Reversão da hipertrofia ventricular esquerda na terapêutica da hipertensão arterial: fato ou ficção? Hiperativo, vol. 05, 1988 – São Paulo.

MATOS-SOUZA J R, FRANCHINI K G, JUNIOR W N, Hipertrofia ventricular esquerda: o caminho para a insuficiência cardíaca. Revista Brasileira de Hipertensão, vol. 15, 2008 – Campinas.

GARCIA J A D, INCERPI E K, Fatores e Mecanismos Envolvidos na Hipertrofia Ventricular esquerda e o papel anti-hipertrófico do oxido nítrico. Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2007-Minas Gerais.

VILLAR C P, ATHAYDE L G M, LIMA M D A, Hipertensão arterial e hipertrofia ventricular esquerda em diabetes mellitus tipo 2. R. Ci. Méd. biol.  Vol. 4, 2005 – Bahia.


SANT’ANNA M P, MELLO R J V, MONTENEGRO L T, ARAÚJO M M, Hipertrofia cardíaca esquerda e direita em necropsias de hipertensos. Elsevier Editora Ltda, 2011 – Pernambuco.

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